Popó faz treino aberto em shopping e promete nocaute na luta de despedida
Vitor Villar, com informações de Moysés Suzart
Parece até roteiro de um autêntico filme de Hollywood, mas é a despedida de um dos maiores ídolos do esporte brasileiro. Aos 36 anos, o pugilista baiano Acelino Freitas, mundialmente conhecido como “Popó”, está na reta final de preparação para encarar aquele que deve ser o último desafio da sua gloriosa carreira: o paulista Michael Oliveira, 14 anos mais novo, e ainda invicto.
A luta será apenas no dia 2 de junho, em Punta del Este, no Uruguai, e terá transmissão ao vivo pelo canal por assinatura Sportv. Mas nesta segunda-feira, 21, Popó resolveu antecipar o espetáculo, demonstrando suas habilidades num treino aberto dentro do Shopping Iguatemi, evento que atraiu a atenção de centenas de pessoas que passavam pelo local.
Sem subir nos ringues desde 2007, quando foi derrotado apenas pela segunda vez na carreira para o americano Juan Díaz, o ídolo promete não está retornando à ativa, e que também não deseja que isto aconteça. “Eu não vou voltar a lutar, vou só fazer uma luta. Não é minha vontade voltar a lutar porque para mim foi muito traumatizante. Eu perdia muito peso, treinava muito, me dedicava muito, passei muitas dificuldades. Com as pessoas me incentivando, esperando uma vitória do campeão, isso me motiva. O que mais me motiva são vocês”, disse ao público presente ao treino aberto desta segunda.
O oponente é duro. Michael Oliveira, 22 anos, está invicto na carreira, com 16 vitórias, sendo 13 por nocaute. Popó, no entanto, pretende surpreender a todos e mandar o adversário para a lona. “Estou treinando para buscar o nocaute, e tenha certeza que vou buscá-lo desde o momento que soar o gongo até o último segundo do décimo round. Vou buscar isso porque sou uma pessoa que veio do esporte, uma pessoa que me deram um dia uma oportunidade e me tornei quatro vezes campeão mundial. Como deputado federal eu sou um deputado do esporte, eu vivo do esporte. Então minha meta é ajudar o esporte”, comentou, lembrando da sua atual ocupação como deputado federal pela Bahia.
Preparação forte - “Enferrujado” há mais de dois anos, quando assumiu o cargo político, o ídolo promete que está treinando duro para retornar à velha forma. E a preparação exige sérios sacrifícios... “Olha, o que pesou mais, vou ser sincero para vocês, foi que deixei de comer a feijoada da minha mãe para perder peso. (risos). Estou fazendo sparring com um menino de 18 anos lá em Brasília que é tricampeão brasileiro. Ele é meu sobrinho, Vitor Freitas, e está me dando um trabalho... Mas como ele tem três vezes mais rapidez que o Michael e é muito mais inteligente, tive que chamar um menino desses para ficar bem preparado. Hoje [no treino aberto] não teve nem metade do que eu faço no treinamento”, ressaltou.
O baiano promete que não aceitou a luta por conta das provocações do adversário. “Isso é marketing. Quem não conhecia ele passou a conhecer depois do desafio que lançou para mim. Mas ele mexeu na onça com a vara curta. Tenho certeza da minha preparação e da minha qualidade técnica. Eu não parei por lesão, não parei por derrota, eu parei porque achei que estava na hora de parar. Mas vi meu filho curioso, porque nunca tinha visto o pai lutar, e ficou atrás de mim dizendo 'meu pai, faz uma luta pra mim'. Aí me senti na obrigação de pai e quis realizar esse sonho dele”, contou.
Foco na política – Hoje deputado federal pela Bahia, Popó lembra que sua maior batalha agora é apoiar o esporte no país. “Na maioria das vezes sento naquele plenário onde não vejo nada acontecer, fico revoltado e pergunto para mim 'o que estou fazendo aqui?'. Mas lembro quando me vejo numa frente parlamentar do esporte, quando lanço um projeto de lei em benefício do atleta. Eu estou com um projeto lá para regulamentar o MMA como esporte, porque todo mundo acha que aquilo lá é apenas uma luta e não vê um esporte. Mas é um esporte porque mudou a vida do Cigano, mudou a vida do José Aldo, mudou a vida do Anderson (Silva) e está mudando a vida de muita gente. Então a gente tem que apoiar, não importa a modalidade, não importa se é agressivo. O que me importa é a inclusão social, o que está mudando a vida de muita gente”, completou.
Fonte: Atarde On Line
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